Bom Dia! Você já tomou seu cafezinho hoje?


O que fazer com tanta palha do cafe?
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29/11/2010 - 09:48

     A safra atual chegou ao fim nas principais regiões cafeeiras do País. Depois de colhido, vem a seca em terreiro de terra, terreiro cimentado, terreiro de lama asfáltica, debaixo de estufa, ou mecanicamente em secador, até atingir os 11 – 11,5% de umidade, ponto considerado ideal para o armazenamento. Aguardar a hora da venda é por conta dos compromissos financeiros assumidos ou por dar uma especuladinha quando o mercado é comprador, como no momento atual. Isso não importa tanto, pois, mais cedo ou mais tarde, os grãos devem ser beneficiados, a casca envolvente retirada, para serem comercializados.
     Há muitos anos atrás, o Prof. Eurípedes Malavolta coordenou um trabalho de pesquisa, onde foram estudadas amostras de café de três variedades: Catuaí, Mundo Novo e Bourbon, no sentido de se avaliar o quanto de nutrientes estaria contido nos grãos e nas cascas. O resultado final demorou uns bons anos de estudo e finalmente revelou que a percentagem de nutrientes, exceção ao magnésio, é maior na casca, indicando tratar-se de um resíduo de expressivo valor para a cafeicultura. À parte o valor da casca, o que se observa nas grandes lavouras é certo desprezo para com esse material, que é frequentemente encontrado amontoado e sangrando debaixo das bicas das máquinas de benefício, amontoado nas beiras dos carreadores, onde a dequada mata alguns pés de café, colocado em esterqueiro ou fundo de estábulos e cocheiras, usado como lenha na forma de briquetes.
As estatísticas de produção nos são dadas por duas fontes principais, IBGE e CONAB, e também por um grande número de fontes oficiosas, que se jactam de entendidos no assunto e praticam uma achologia dirigida, que invariavelmente só contribui para deprimir preços. Nesta safra, os achologistas de plantão estão sendo questionados em suas elucubrações, pois, em plena safra, os preços estão subindo, uma vez que, em função principalmente das inúmeras floradas, a maturação está desigual e os produtos de qualidade estão disponíveis em pequena quantidade.
     Outro questionamento que se pode fazer: para um mesmo produto da importância do café, qual a razão para se ter dois órgãos de estatísticas, que invariavelmente apresentam números discrepantes? Fartura de recursos ou falta de política cafeeira adequada? A CONAB estima a safra atual em 47 milhões em sacas de 60,5 kg. Vamos tomar esse número para calcular o quanto de nutrientes está contido na palha de café que será gerada somente nesta safra.
     As quantidades de nutrientes contidos na palha seca não são nada desprezíveis o que deveria nos motivar a aproveitar esse resíduo, devolvendo-o à lavoura. Para tanto, algumas questões devem ser esclarecidas para que o aproveitamento dos nutrientes seja maximizado e os custos da operação sejam os menores possíveis.
     Onde aplicar – pelos resultados da análise de solo, selecionar para receber a palha os talhões que estiverem com o Potássio na CTC menor de 3.
     Dose a aplicar – evitar passar das 5 toneladas por hectare, o que equivale a 500 gramas por m². Essa dose evitará futuros desequilíbrios nutricionais.
     Localização/distribuição – em toda a área livre das entrelinhas, distribuindo a lanço, sem necessidade de incorporação. Vale lembrar que a incorporação retarda a decomposição do material e cria bolsões de alta concentração de nutrientes, que pode chegar a matar as raízes nessas áreas.
     Quando aplicar – logo após a colheita da área selecionada, em havendo palha disponível. Criar na propriedade um sistema de distribuição a ser desenvolvido separadamente da colheita.
     Palha seca ou compostada – empregar palha seca pela facilidade de aplicação, e uniformidade da distribuição. A compostagem desuniformiza o material, agrega água, torna a distribuição mais onerosa, a retarda e a encarece.
     Como armazenar a palha – uma das melhores soluções do momento é acumulando a palha em pequenas moegas e recebê-la em bags que são levados e armazenados na beira dos carreadores, aguardando pela distribuição. Os bags de reuso e um guincho são de baixo custo. Uma das melhores opções já encontradas.
     Palha briquetada – será usada como combustível. Uma boa fonte de energia. Vale lembrar que durante a queima, dois nutrientes são volatilizados, o Nitrogênio e o Enxofre, ficando os demais concentrados nas cinzas. Estas devem ser analisadas em seu conteúdo mineral e distribuídas nas lavouras, lembrando que nada que se cria deve ser perdido. Pensando em palha deve-se valorizar mais o benefício da aplicação desse resíduo, que sempre será maior que o custo da aplicação/distribuição. Na hora certa, no tempo certo, é um material inigualável, pela sua riqueza em nutrientes, que contribuirá para ajustar a nutrição, repondo equilibradamente o que foi extraído pelas colheitas sucessivas.

Fonte: Hélio Casale – Portal DBO

Fonte: http://www.coffeebreak.com.br/